Decidir a mensagem
Quatro perguntas sobre a pessoa que vai ver o anúncio, nesta ordem:
- Quem é essa pessoa? — O que ela já tentou e não funcionou · o que ela tem medo que aconteça · que frase ela já ouviu que a incomodou
- O que ela já sabe? — Em qual dos cinco estágios ela está. Decide se você fala do sintoma, do critério ou da oferta.
- No que ela acredita? — Pergunte a quem já é cliente: "o que te fez hesitar?" · leia comentários de vídeos populares do seu assunto
- O que prende a atenção dela? — Assista no Instagram os vídeos mais vistos do seu assunto. Salve os links.
Responda as 4 perguntas para cada serviço que você vende. Quase todo negócio para na pergunta 1, e é por isso que quase todo anúncio fala igual.

Três peças de anúncios, não um
Degrau 1 · Não sabe do problema
"Você acorda com dor de cabeça há meses e já culpou o travesseiro, o estresse e a vista cansada."
Fala do sintoma. Ela ainda não sabe que aquilo tem nome. Se você disser o nome, ela não se reconhece.
Degrau 3 · Sabe da solução
"Nem toda placa de bruxismo é igual e a errada desgasta mais o dente do que protege."
Fala do critério. Ela já quer resolver. O que falta é saber escolher, e é aí que você entra.
Degrau 5 · Pronta para decidir
"Placa de bruxismo sob medida, moldagem em consulta única. Agende esta semana."
Fala da oferta. Aqui a frase direta funciona. E só aqui. É a peça que quase todo mundo produz.
Se você só tem a terceira peça, está anunciando apenas para quem já sabia o que queria. As duas primeiras são as que trazem gente nova.

O que observar nas duas fontes: não é o assunto, é a forma.
- Como começa
- O que aparece nos 3 primeiros segundos
- O que está escrito na tela
- Por que você não passou direto
- O que dizem nos comentários
Montar a peça


Todo bom anúncio foi feito para ser ignorado pelas pessoas erradas.
Sete formas de dizer para quem é
- Por conhecimento — Sua taxa de recompra abaixo de 30% é o buraco invisível do delivery
- Por ferramenta — Se você ainda anota pedido em caderninho e controla pelo WhatsApp
- Por situação — Sexta, 19h, chovendo, pedidos explodindo e o motoboy avisa que não vem
- Por comportamento — Você põe cupom de 20% para aparecer mais e no fim do mês não sobra nada
- Por crença — Não é o aplicativo que traz cliente para o seu restaurante — é o contrário
- Por rotina — Você acorda, confere o estoque, abre o app e reza para chover
- Direta — Você que tem um restaurante delivery em Curitiba e faz mais de 200 pedidos por mês
O que não filtra nada: "Qualidade e atendimento de excelência" · "A melhor experiência para você" · "Tradição e compromisso" — servem para qualquer negócio, logo não são de nenhum.
Teste: se a frase serve para o seu concorrente, ela não é sua.

O erro mais comum: escrever na tela exatamente o que a voz está dizendo. Isso desperdiça a única chance de dar dois motivos diferentes para a pessoa ficar.

Teste antes de publicar: assista à sua peça no mudo. Se sem áudio ela não faz sentido nem dá vontade de continuar, o gancho escrito não está fazendo o trabalho dele.

Sem tempo e sem som, o filtro tem que estar na frase principal. É o que separa um card que traz cliente de um card que só ocupa espaço no feed.
Montar o arquivo


Percentuais são aproximados e mudam quando o app atualiza. Antes de publicar, veja a peça na pré-visualização do gerenciador, em cada posição onde ela vai rodar.

Exemplos prontos

Para os degraus 1 e 2. Uma frase e um botão. A pessoa ainda não estava procurando nada — informação a mais aqui só atrapalha, porque ela não pediu. Nenhuma fala da empresa; todas falam da pessoa.

Cuidado ao reaproveitar em Stories e Reels: a faixa de contato fica na base, exatamente onde a interface cobre 20% da peça. Nesses formatos, suba o contato para o miolo ou tire.

Use como modelo: preencha as três linhas de cada quadro antes de gravar. E repare: tire o áudio e a peça continua inteira — é o que salva os 44% que assistem sem som.

Custo da mudança: zero. Mesma oferta, mesmo serviço, mesmo orçamento de mídia. Só a decisão de para quem a peça foi escrita.
Antes de publicar
Doze verificações
A · O que dizer
- Sei em qual dos cinco estágios está quem vai ver — se não sei, a frase de abertura é chute
- A peça nasceu de uma referência real que vi funcionando — não inventei do zero
- Existe algo aqui que afasta as pessoas erradas — uma das sete formas de filtrar
- A frase não serve para o meu concorrente — se serve, troque antes de produzir
- Tenho outras peças desta mesma oferta — nunca aposte numa só
B · Como montar
- Os três primeiros segundos têm gancho — visual, escrito e falado, os três
- O texto na tela não repete o que a voz diz — spoiler ou pergunta, nunca legenda da fala
- A peça faz sentido no mudo — assista sem som antes de aprovar
- Tem corpo e chamada, não só gancho — o que é, para quem, e o que fazer agora
C · Como exportar
- 1080px de largura, na proporção certa — 4:5 para feed, 9:16 para tela cheia
- Nada essencial nos 14% do topo nem nos 20% da base — só em Stories e Reels
- Vi a peça na pré-visualização, em cada posição — é onde o corte aparece
Se a peça falha na terceira verificação, não adianta acertar as outras onze. Sem filtro, você paga para ser visto por quem nunca vai comprar.
Créditos
Conteúdo organizado a partir da aula Copywriting para Gestores de Tráfego — Parte I (live #372), de Pedro Sobral. Os cinco estágios são de Eugene Schwartz, Breakthrough Advertising (1966). Montar o arquivo e Exemplos prontos não derivam da aula; as peças de anúncio foram criadas para este material e os negócios são fictícios.
